Outro dia, eu estava no clube, com meu pai, meus três irmãos e a Alice (uma amiga da minha irmã).
Uma das coisas ruins, sobre ir ao clube com meus irmãos é: Eles são muitos. Três. Mas é claro que, quando se trata de ir ao clube em uma tarde de sábado, pelo menos um deles, sempre tem que levar uma companhia. O que aumenta a quantidade de pessoas, e diminui o espaço no carro.
Nesse dia, minha irmã tinha levado uma amiga. O que na verdade, não fez muita diferença, porque eles sumiram tão rápido do meu campo de visão, que não deu nem tempo de pensar se eu gostava ou não daquela situação.
Eu fiquei então, sentada em um banco, perto do meu irmão mais novo. Que por acaso, estava bem longe de mim, sentado em uma sala, brincando sozinho, enquanto meu pai tirava uma soneca bem gostosa, ocupando o outro banco inteiro.
Eu estava lendo.
Não gostava muito da idéia de estar no clube. Estava meio entediada, na verdade.
Estava sentada em um parque. Um parque aonde a concentração principal, eram crianças. Crianças em média, de mais ou menos quatro anos.
Então, um menino pequeno, mais ou menos do tamanho de minhas pernas, chegou correndo perto do banco em que eu estava sentada. Ele só não corria, como também chorava. Com suas mãos cobrindo o rosto. Não era um choro de manha, como quando a criança quer um sorvete, que o pai não quer dar por dizer que está fazendo um dia frio, e que isso pode dar dor de garganta, ou simplesmente, por não querer dar. Era um choro sofrido.
Quando olhei para o menino, pensei se poderia perguntar ou não o que tinha acontecido. Ele não parecia perigoso. Estava usando uma roupa de homem-aranha, pequena como ele e o que o servia direitinho. Não reparou que eu estava tão perto dele, e tão pouco tirou suas pequenas mãos sujas de areia de cima dos olhos.
- O que aconteceu com você, homem-aranha?
- Ela não quer brincar comigo.
Ele respondeu tirando as mãos por alguns segundos do rosto, só para poder enchergar direito a pessoa, até então estranha, que tinha falado com ele.
- Quem não quer brincar com você? Aquela menina de vestido de princesa?
Disse, apontando para uma menina, também fantasiada, que estava próxima ao banco, só dando olhares com o canto dos olhos.
- Sim.
Mas, não consegui nem responder nem desenvolver essa conversa. Porque nessa hora, um homem, que deduzi como sendo o pai do menino, chegou, me olhando com aquela cara de desprezo.
Ele não estava perto na hora em que seu filho entrou chorando em meu campo de visão. Se distraiu por um segundo, esperando que, quando voltasse a olhar, seu filho estivesse brincando com a princesa, que agora, rodava sozinha em volta de um cano alto. Mas, que quando olhou a procura de seu filho, o encontrou conversando com uma estranha.
Sem olhar direito para mim, pegou o filho no colo, e, ao ouvir a responde de porque ele estava chorando, o colocou no chão e o mandou parar de chorar, falando que se não parasse, iriam embora.
Pensei no meu pai, que estava naquele momento, ainda em sua soneca.
O menino tinha pedido para o pai, para não ir embora, mas eu não sei se ele foi ou não. Porque naquele momento, o menino que estava a tão pouco do meu lado, não estava mais nem no meu campo de visão.
(Tema: olhar para fora)
Helena
ResponderExcluirSua ideia é boa, a situação escolhida também, personagens, espaço, tudo certo.
Só uma coisa: a crônica é um genero enxuto, concentrado, que não divaga muito. Assim, todo o início do seu texto acaba sendo uma explicação para aquilo que você vai desenvolver ao narrar seu encontro com a criança, na sequência.
Lembre que você não precisa explicar nada, apenas narrar.... Parabéns e bom trabalho!