Estava todo mundo junto. Todo mundo no mesmo espaço. Todo mundo respirando o mesmo ar, que não é mais o de todos os dias.
Todos pareciam felizes.
Muitos, mergulhavam suas cabeças na água. Alguns até, andavam de um
lado para o outro da praia, só para sentir o novo vento batendo em seus ombros e orelhas.
Mas todos estavam lá. Uma energia diferente. Que passava da areia em que pisávamos todos juntos, subia pelos nossas veias e músculos chegando finalmente ao coração. Ou ao cérebro?
O ar que enchia nossos pulmões, para podermos gritar mais alto os nomes uns dos outros. "ESQUILO" uns gritavam de um lado. "VEM NADAR!" gritavam do outro.
Nunca senti uma coisa tão forte e tão livre ao mesmo tempo. Era como se toda a rigidez do sentimento que eu estava sentindo, se diluísse com o ar puro que estava circulando em meu corpo.
Não era um ar como o da sala de aula. Onde cada um se sente obrigado a impor sua opinião, ou se sentir superior, ou até parte. Onde cada um se sente obrigado a mostrar quem é.
Ali, naquele momento, ninguém se sentia obrigado a se sentir melhor, a mostrar o que sabe de bom. A mostrar que aprendeu como divide polinômio por polinômio, ou se sabe se amor é um verbo transitivo ou intransitivo.
Ninguém precisava se sentir dentro, pois todos sabiam que estavam. Estávamos todos no marco zero.
Ali, naquele momento, ninguém se sentia obrigado a se sentir melhor, a mostrar o que sabe de bom. A mostrar que aprendeu como divide polinômio por polinômio, ou se sabe se amor é um verbo transitivo ou intransitivo.
Ninguém precisava se sentir dentro, pois todos sabiam que estavam. Estávamos todos no marco zero.
E aquele sentimento, tão inquebrável, tão forte, e meio duvidoso, estava lá. Não sei se literalmente em todo mundo, mas filosoficamente em todo mundo.
As ondas se quebravam e levavam parte de cada um com elas. Como as lágrimas de saudades. Que descem em seu rosto tirando um pedacinho de você para juntar de novo em algum outro lugar um dia.
Um outro lugar, em um outro dia, talvez até com outra pessoa.
E aos poucos, todos fomos nos levantando, levantando nossas cabeças da água refrescante que levantava cada fio de cabelo, levantando nossas bundas molhadas da areia macia.
E cada um de nós, era como uma folha. Livre no ar, pronto para sentar de novo, e cantar mais uma vez a mesma música, e dar o último mergulho quantas vezes for preciso, sentindo a energia que subia do chão, junto com o ar leve e o sentimento diluído.
(Crônica de paraty)
Um outro lugar, em um outro dia, talvez até com outra pessoa.
E aos poucos, todos fomos nos levantando, levantando nossas cabeças da água refrescante que levantava cada fio de cabelo, levantando nossas bundas molhadas da areia macia.
E cada um de nós, era como uma folha. Livre no ar, pronto para sentar de novo, e cantar mais uma vez a mesma música, e dar o último mergulho quantas vezes for preciso, sentindo a energia que subia do chão, junto com o ar leve e o sentimento diluído.
(Crônica de paraty)
Olá Helena!
ResponderExcluirMuito bacana, bela relação entre a situação vivida por vocês, a comparação com a situação em sala de aula e as reflexões/pensamentos surgidos a partir dessa experiência.